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GREVE NO CAPS III
Em tempos de perda de direitos, os servidores do CAPS III de Joinville iniciam uma greve que já dura mais de 10 dias por melhores condições de trabalho e na defesa da saúde mental enquanto política pública fundamentada na democracia
 
 
Publicado em 25 de Setembro de 2017

Os servidores do Centro de Atenção Psicossocial III Dê-Lírios (Caps III) presenciaram hoje (22/9) mais uma demonstração da total falta de respeito por parte da Prefeitura. Em greve desde o dia 15 de setembro, os trabalhadores esperavam encerrar o movimento nesta tarde, quando o prefeito Udo Döhler voltou atrás, novamente, no que havia concordado.

 

Durante a semana, foram realizados avanços nas negociações. Após diversas reuniões, o governo havia concordado em não estender a jornada dos servidores para 44 horas semanais. Faltava somente a assinatura de um documento formalizando a decisão. Porém, pela segunda vez na semana, o prefeito mudou de ideia.

 

Diante disso, os servidores, que aguardavam a formalização para retomar os seus serviços, decidiram por unanimidade manter a greve. A partir de segunda-feira (25/9) eles passam a se concentrar em frente à Prefeitura.

 

Para o presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter, a atitude do governo não tem explicação. “É um absurdo. Não basta o desmonte provocado por este governo em todo o serviço público, agora os trabalhadores não podem confiar nem mesmo nos acordos das mesas de negociação”.

 

RELEMBRE

Os servidores do Caps III entraram em greve na última sexta-feira, depois de a Prefeitura tentar aplicar um aumento de carga horária sem reajuste de salário e sem nenhuma justificativa. Atualmente, a jornada semanal no CAPS III varia entre 30 e 42 horas, de acordo com a função desempenhada. Há trabalhadores que, pela natureza de sua função, têm carga de 30 horas semanais determinada por lei federal. O governo de Joinville, no entanto, desejava aumentar a jornada de todos para 44 horas. Quem não aceitasse seria punido com a perda da gratificação recebida pelos trabalhadores do local.

 

O Caps III atua 24 horas por dia, oferecendo atenção a pacientes com transtornos mentais, que vão de depressão severa à bipolaridade e esquizofrenia. Este trabalho é realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por agente de saúde pública, auxiliar administrativo, assistente social, enfermeiro, técnico em enfermagem, psicólogo, terapeuta ocupacional, farmacêutico e psiquiatra. O atendimento humanizado procura evitar a internação na ala psiquiátrica do Hospital Regional. Os servidores são expostos a transtornos psicológicos severos.

 

PARALISAÇÃO GERAL EM 28 DE SETEMBRO

Os servidores de Joinville farão um dia de paralisação na próxima quinta-feira (28/9), com concentração às 9 horas, em frente à Prefeitura. Esta foi a decisão unânime da assembleia realizada em 21 de setembro, no sindicato. A categoria está em estado de greve desde 5 de setembro e busca o atendimento de onze reivindicações relativas a condições de trabalho e direitos estatutários desrespeitados pelo governo.

Dê-lirar é fundamental!
 
"Tão fundamental que se eu fosse uma filósofa importante mudaria a máxima cartesiana para: "Deliro, logo existo".  É comum que se diga que só os loucos deliram, mas isso não é verdade.  Todos nós deliramos. 
Quem não delira ou é pedra ou é planta.  Todas as pequenas e grandes realizações humanas iniciaram com um delírio, ou seja, numa invenção da cabeça de alguém."
(Rita Almeida-Psicóloga).
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